O Que Estamos Fazendo De Errado Com As Nossas Cidades

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Todos nós sabemos, ou ao menos deveríamos saber, que falar de cidade não é só falar de política, mas sim de nossos direitos, de onde vivemos e de nós mesmos. Porém, se insistirmos em levar em consideração apenas a primeira hipótese, persistimos num erro que desde primórdios da nossa vida em sociedade até hoje, século XXI, teimamos defender. Falar sobre cidade não é exatamente defender um partido A, B, C ou D. A cidade acima de ser edificada e asfaltada, é viva e carrega vida, mas não temos tido essa percepção. Não somos carros movidos à petróleo, não deveríamos ser aspiradores de poluição. Mas persistir naquela primeira hipótese do que é falar sobre cidade, nos aliena e nos fecha para nós mesmos.

O FA nunca foi destinado a discutir política e defender partido algum, mas o interesse principal de tudo isso tem sido tudo o que muitos ignoram na hora de exercer a sua cidadania: A Cidade. Como futura arquiteta, sei bem que muito mais do que um móvel, um ambiente, uma casa inteira, a cidade é nosso principal instrumento de trabalho, pois é nela que tudo está inserido. Se não temos uma boa cidade, dificilmente será uma boa decoração ou uma casa bonita que vai determinar o seu bem estar. Segundo fatos, nós brasileiros e uma boa parcela da população do mundo, passam mais tempo fora de casa do que usufruindo do seu lar, ou seja, grande parte do estresse gerado não tem nada a ver com o seu particular. A cidade que o cerca determina sua saúde física e mental. Mas temos insistido no erro.

2Fonte: Cena do filme argentino “Medianeras”. Disponível em: http://lounge.obviousmag.org/

 

Recentemente li uma reportagem na qual a futura primeira dama da prefeitura de São Paulo, se vangloriava de todos os seus luxos possíveis e dos seus “notáveis” atos de caridade para os seus empregados (confira a reportagem aqui). Uma entre muitas das coisas que mais me chocou foi ver que São Paulo pra ela fora do Jardim Europa praticamente não existe. Não sabia o que era Minhocão, não sabia da existência do Parque Augusta, e muito mal sabe das condições em que todos os outros cidadão estão inseridos na cidade em que seu futuro esposo irá administrar nos próximos 4 anos. Estou me perguntando até agora se o futuro prefeito já percorreu a cidade de Norte a Sul de transporte público, pelo menos. Mas como eu disse, não é questão de partido. O erro em que teimamos insistir é eleger pessoas pouco ou nada comprometidas com a cidade a qual se responsabilizam governar. Não é questão de ser formado em administração, direito ou qualquer outra coisa, mas sim não ter noções urbanísticas necessárias para gerir uma cidade a qual todos nós merecemos. Não acredito que seja tão difícil quanto tem sido, pois temos ótimos exemplos por cidades afora do Brasil. A questão é não querer inventar a roda, é não mexer no que já vem dando certo. Mas ainda insistimos no erro.

javier-drolas-as-martin-in-sidewalls-2011-1Fonte: Cena do filme argentino “Medianeras”. Disponível em: http://episodiosdehoje.com/

 

Ainda acredito que teremos boas cidades quando o interesse comercial deixar de ser prioridade à qualidade de vida do ser humano, lembrando que ser humano não se define ou se classifica por classe social. Quando não deixarmos qualquer valor barato nos persuadir ou comprar nossa poderosa opinião e poder de fazer a diferença, teremos simplesmente como consequência o que já poderíamos estar usufruindo a muito tempo: uma cidade voltada para humanos e não máquinas.

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