O Arquiteto que o Mundo Precisa que Você Seja

BG FA - O Arquiteto que o Mundo Precisa que Você Seja

Julho, férias e um tempinho a mais para me dedicar ao blog! Lembrando que vocês podem sempre acompanhar e interagir conosco através das redes sociais como o Instagram e a nossa página no Facebook, além de diversas inspirações de design e arquitetura através do Pinterest!

E depois de um “pequeno” tempo sem postagens rs o Futura Arquiteta volta com um post reflexivo e importante sobre o papel do arquiteto na sociedade atual e no futuro. É sempre de suma importância que o profissional dessa área se envolva em debates, pesquisas e reflexões sobre a realidade em que está inserido e o que a sociedade espera de nós, já que dentro da arquitetura é ela (a sociedade) quem irá direcionar o nosso trabalho e, torná-lo ou não, útil e significativo, podendo até mesmo se tornar revolucionário, como por exemplo a produção do renomado arquiteto Le Corbusier e os 5 pontos da arquitetura moderna – planta livre, fachada livre, pilotis, janelas em fita e terraço jardim – presentes até hoje em nosso cotidiano.

Mas quais são as nossas necessidades hoje? O que podemos fazer para solucionar tantos problemas atuais pensando num futuro melhor? E o que nós futuros e arquitetos temos a ver com isso?

Futura Arquiteta1Fonte: https://br.pinterest.com/aaschool/

 

Diferentemente do que muitos devem ter em mente, arquitetura não é só construção [1]acima de tudo é fundamental que nós arquitetos tenhamos noção da escala humana e sejamos perceptíveis as suas necessidades básicas, o que interfere diretamente na nossa relação com a sociedade e no produto que iremos oferecê-la – nisso a formação também em urbanismo que temos em nossa grade curricular, contribui bastante para enxergarmos além.

Diante do atual contexto urbano e a crise mundial de habitação, o papel do arquiteto e a sua visão apurada são fundamentais para apresentação e execução de soluções reais e adequadas a cada situação, devendo sempre prezar por práticas sustentáveis (econômica, ambiental e fiscal).  Dentro desses problemas nos deparamos também com o crescimento populacional urbano previsto para os próximos anos e também a imigração – questões que demandam ainda mais planejamentos de médio prazo, para que agindo o quanto antes possamos garantir um futuro melhor.

“Atualmente, na América do Sul habitam mais de 400 milhões de pessoas – 6% da população mundial – das quais, mais de 80% vivem em zonas urbanizadas. Isto tem gerado um grande déficit de habitações em todo o continente, e sem respostas claras frente a este processo de urbanização, as cidades vão sendo compostas por assentamentos informais difíceis de manejar depois de consolidados. Segundo o último relatório da ONU Habitat, na América Latina e no Caribe a quantidade de pessoas vivendo em assentamentos precários chega a 110,7 milhões.” [2]

a7db59e8b6061d61d2d3b9286891659aFonte: http://wfsmith.tumblr.com/image/41048958726

 

A arquitetura tem um papel social, e sobre isso devemos levar em consideração que o nosso trabalho também deve ser direcionado às classes menos favorecidas. Um bom exemplo disso é o recente Pritzker (Jan/2016) concedido ao arquiteto chileno Alejandro Aravena, onde a frente do escritório Elemental já construiu mais de 2.500 unidades de habitação social, além do seu ativismo em questões do gênero. Não para menos, Aravena teve sua importância reconhecida por Tom Pritzker, na cerimônia de premiação:

      “O seu trabalho dá a oportunidade econômica para os menos privilegiados, mitiga os efeitos de desastres naturais, reduz o consumo de energia e provê um bem-vindo espaço público. Inovador e inspirador, ele mostra como a arquitetura pode melhorar a vida das pessoas”  [3]

FA - O Arquiteto que o Mundo Precisa que Você Seja - AravenaArquiteto chileno Alejandro Aravena e alguns de seus projetos de habitação social:
1. Quinta Monroy 2. Villa Verde Housing
Fonte: http://radio.uchile.cl/2016/01/13/alejandro-aravena-gana-premio-pritzker-2016-el-nobel-de-la-arquitectura/

 

Além de Aravena, há ainda uma arquiteta que está atualmente em destaque pelo prêmio Emerging Woman Architect of the Year, concedido pelo Architecture Journal. Recentemente num artigo de uma entrevista com a arquiteta Julia King no site ArchDaily, tive a oportunidade de conhecer um pouco do seu trabalho e sua opinião sobre a produção atual de arquitetura (acesse a entrevista aqui), o que afirmou ainda mais a percepção do quanto ainda precisamos aprender com o nosso entorno, principalmente o que está distante – não apenas geograficamente falando.

“Procuro inspiração (ou oportunidades) nas pessoas e lugares ao invés de procurar por pessoas e lugares que recebam minhas ideias.”  Julia King. [4]

King, teve seu trabalho reconhecido por ir muito além do que tradicionalmente se é considerado como “arquitetura”. Através de um PhD prático pelo ARCSR, (sigla em inglês para o Arquitetura para as Mudanças Rápidas e Recursos Escassos) nas favelas da Índia, Julia teve a oportunidade de entender que mais do que a arquitetura tradicional – estritamente ligada a construção – a comunidade precisava de atenção a uma das suas necessidades fundamentais: o sistema de esgoto. Em suma, Julia King desenvolve seus trabalhos juntamente com a ONG indiana CURE (sigla em inglês para Centro para Excelência Urbana e Regional), sendo o seu maior projeto um sistema de descentralização de saneamento – uma infraestrutura que permitiu à aproximadamente 2.000 pessoas o acesso a um banheiro – numa comunidade aonde anteriormente as famílias defecavam à céu aberto.

FA - O Arquiteto que o Mundo Precisa que Você Seja - Julia KingArquiteta recentemente em destaque pelo seu trabalho humanitário junto a ONG indiana CURE
Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/751175/introduzindo-a-garota-penico-a-arquiteta-do-futuro


“Eu poderia ter construído uma biblioteca ou uma estação de ônibus mas o que era mais necessário era esgoto – fazer o que a comunidade não poderia fazer por si só para que pudessem seguir com o que eles fazem muito bem, que é fazer cidades a partir de casas. […]”
 Julia King

Arquitetos como Aravena e Julia King, geram uma grande reflexão sobre o nosso compromisso, sobretudo com o ser humano, sem distingui-lo por classe, raça ou renda. Porém, ainda não é possível negar que a produção arquitetônica em sua maioria é voltada para a elite, deixando de lado necessidades urbanas e os mais pobres.

Em uma das perguntas da entrevista realizada por Vanessa Quirk para o ArchDaily, King fala ainda da sua visão sobre o comportamento distante dos arquitetos frente às questões sociais:

“Por que existem tão poucos arquitetos nesta área? Acho que existe uma grande desconexão de como a arquitetura é ensinada, praticada, e a realidade das cidades e um ambiente mais construído. O foco na arquitetura como uma forma de arte é ainda endêmica; no entanto isto está mudando, ainda que lentamente. Então acho que a profissão em geral percebeu que nós somos irrelevantes – é difícil assumir este fato, mas parece certo para mim – arquitetos em todo o mundo estão envolvidos com apenas 2% do ambiente construído.” Julia King

Portanto, a arquitetura é um ambiente muito amplo, subestimada se definida ou entendida apenas por um de seus viés, por isso devemos pensar e repensar sobre o nosso papel como arquitetos. Nada é perfeito, mas como diria Rem Koolhaas “a arquitetura é uma profissão perigosa” [5]. É preciso ir além do que o poder aquisitivo e/ou mercado imobiliário nos pede, é preciso ousar para fazer a diferença que o mundo precisa, pois toda consequência – boa ou ruim – será fruto do nosso trabalho. Logo, se queremos de alguma forma nos destacar e principalmente vivermos em um mundo melhor, talvez não seja fazendo apenas casas bonitas, mas começando por não temer pessoas e buscando soluções para problemas de quem menos possui oportunidades para sustentar-se dignamente em uma sociedade cada vez mais individual.

1da21ef1be2969da7b6e488fa98c8c6dFonte: http://chatterbox.typepad.com/portlandarchitecture/

“[…] A beleza é a função maior. Não há beleza que não contenha o resto.” Álvaro Siza. [6]

Um bom arquiteto não deve ter medo de pessoas. E uma boa arquitetura pode ser uma porta para a igualdade. O que o mundo precisa da gente (futuros e arquitetos) não são de projetos de custos adicionais e quantitativos, mas de valores acrescidos e qualitativos na vida de todos.

[1] [6] SIZA, Álvaro. Siza Vieira. “A reforma dá uma neura terrível”. Expresso, Portugal, 19 mar. 2016. Disponível em: <http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-03-27-Siza-Vieira.-A-reforma-da-uma-neura-terrivel>. Acesso em: 18 jul. 2016.
[2]  ARCHDAILY. Alejandro Aravena vence o Prêmio Pritzker 2016. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/780248/alejandro-aravena-vence-o-premio-pritzker-2016>. Acesso em: 18 jul. 2016.
[3] PRITZKER, Tom. Empresário e Filantropo. In: BERNARDO, Kaluan. Prêmio reacende o debate sobre papel social da arquitetura. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/01/13/Pr%C3%AAmio-reacende-o-debate-sobre-papel-social-da-arquitetura>. Acesso em: 18 jul. 2016.
[4] KING, Julia. Entrevista com Julia King – a arquiteta do futuro(?). Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/751175/introduzindo-a-garota-penico-a-arquiteta-do-futuro>. Acesso em: 18 jul. 2016.
[5] KWINTER, Sanford. Rem Koolhaas: conversa com estudantes. Barcelona: Gustavo Gili, 2002. 94 p. E-book. 

Anúncios

Alejandro Aravena, o arquiteto chileno ganhador do Pritzker 2016

Alejandro Avarenga

A frente do escritório Elemental, o chileno Alejandro Aravena de 48 anos é o mais novo ganhador do considerado Nobel da Arquitetura, o Prêmio Pritzker.

Destacado pela sua arquitetura de caráter social, o seu trabalhado foi exaltado pelo juri como uma arquitetura inteligente e que contempla os grandes desafios do século 21.

Aravena inicou sua atuação profissional em 1994, dois anos após concluir seus estudos na Universidade Católica de Chile. Hoje, ocupa o lugar no prêmio que foi do arquiteto Frei Otto em 2015, e é o terceiro sul-americano a entrar para lista de vencedores, junto aos brasileiros Oscar Niemeyer (1998) e Paulo Mendes da Rocha (2006).

Entre seus projetos destacam-se o Centro de Inovação Anacleto Angelini (Chile), Faculdade de Matemática da Universidade Católica de Santiago (Chile), Habitação Monterrey (México) e Quinta Monroy (Chile) de caráter social.

Veja fotos na galeria abaixo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013

Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013

O Prêmio Pritzker de 2013 consagrou no dia 17/03, o arquiteto japonês Toyo Ito. Aos 71 anos, o arquiteto Ito é tido como “um criador de edifícios atemporais, com os quais sempre propõe novos caminhos. Sua arquitetura projeta um ar de otimismo, ligeireza e alegria, e está impregnada de um sentido de unicidade e universalidade”, segundo as considerações do júri, presidido pelo lorde Peter Palumbo.

Conhecido como o “Nobel da arquitetura”, o prêmio criado em 1979 por Jay A. Pritzker e sua esposa, Cindy, tem como objetivo homenagear os autores das obras arquitetônicas mais significativas como conjunto.

Veja algumas das suas principais obras:

Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013 - 4Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013 - 3Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013 - 6Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013 - 7Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013 - 10Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013 - 5Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013 - 8Toyo Ito, Vencedor do Prêmio Pritzker 2013 - 2

Ito é o sexto arquiteto japonês a receber o Pritzker depois de Kenzo Tange (1987), Fumihiko Maki (1993), Tadao Ando (1995) e a equipe formada por Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa em 2010.

A entrega do prêmio será realizada no próximo dia 29 de maio no Museu e Biblioteca Presidencial John F. Kennedy de Boston (EUA.), um edifício desenhado pelo Pritzker de 1983, Ieoh Ming Pei.